FASE VERMELHA São Paulo, SP

FASE VERMELHA

Entre março e julho de 2020, a chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil assustou parte da população. Quem podia, abrigou-se em casa. Aos poucos, porém, a falta de políticas públicas alinhada à necessidade, à desinformação e, muitas vezes, ao descaso, fez lotar praias, shoppings, restaurantes e bailes.

Como rescaldo dos deslocamentos de Ano Novo e Carnaval e o abandono do isolamento, a curva de casos e mortes explodiu e atinge hoje, março de 2021, seu pior momento no Brasil, com hospitais públicos e privados operando no limite da capacidade e novas variantes mais contagiosas e agressivas. Na contramão do mundo, voltamos para a fase vermelha, com orientação de sair apenas para os chamados serviços essenciais.

Outra vez, no entanto, as políticas de isolamento revelam a profunda desigualdade que assola o país: enquanto alguns podem se recolher com home office confortável, internet de alta velocidade, casa no campo ou  delivery de comida, as chamadas minorias – que são na verdade, maioria – veem-se divididas entre a preocupação com a saúde e a lida diária com o desemprego, a fome e a miséria e outras espécies de vírus letais. O reiterado negacionismo do presidente, em grande porção responsável pelas atuais 1.700 mortes diárias, tampouco trouxe soluções para equilibrar o abismo social que só se vê agravar.

Feitos nas ruas do Centro de São Paulo, os retratos da "Fase Vermelha" de Ale Ruaro nos deixam ressoando inquietantes questões: Brasil como? quando? por quê? para quem? 


Gabriela Longman

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