O INFINITO DA FACE SÃO PAULO BRASIL

O INFINITO DA FACE

Fotografar gente. Um rosto, um corpo, muitas camadas. Em 1958 o multi premiado diretor de cinema Ingmar Bergman lançava o que viria a se tornar uma das suas obras mais conhecidas. O Rosto conta a história de um grupo de atores que viajam pelo interior da Suécia encenando pequenas peças onde a mágica tem um papel central. Como era de se prever, os atores transformam os seus rostos conforme as características de seus personagens.


É isso o que se espera deles: uma metamorfose diante de nós. O cineasta sueco nos mostra como um rosto pode ser muitos, transmutando-se por nuances sutis porém definidoras. Um pequeno gesto, um olhar raivoso, um sorriso falso, uma sobrancelha inquieta, tudo é trampolim para dentro da personagem e suas camadas. Ale Ruaro extrai de seus personagens não as suas almas, mas faíscas de suas existências, vestígios de suas mágicas.


Sim, todo ser humano é mágico. Não se contenta com a lógica monolítica da racionalidade, do caminho reto. Por entre truques, ilusões e sonho nos configuramos, pelo caminho fértil e misterioso da magia, imagem. Ruaro mira em um rosto e tira dele uma das suas essências. Um rosto é horizonte e infinito. Quando vamos em direção ao horizonte, ele se desloca, nos escapa. Nunca o alcançamos pois não existe, infinito é.


Em todo rosto está também quem olha. Quem olha é olhado, em uma troca de lugares incessante. Ale trás para dentro de sua caixa preta todos os que fotografa. Uma caixa mágica, que transforma a vida latente de um rosto em imagem, que pulsa, que não se esgota, que é de quem olha e que, imerso no seu horizonte humano, se vê infinito. Paulo Marcos de Mendonça Lima

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